Eu, Tu e os meus sapatos

Louca pela vida. Louca por ti. Louca por escrever. Louca por sapatos.

É uma dor para a vida toda

Sem enganos, falsos conselhos ou segredos ocultos.

Sobre a doeaça e a morte? A dor não desaparece. Nunca. Nem tampouco é uma questão de medidas. Não vai doer menos porque agora dói mais. É dor. E esta dor não tem escala. Não é mensurável. Vai doer sempre. Só que vai doer diferente. Diferente. Mas sempre. E é essa a expectativa a criar. E a gerir.

Tenho a certeza de que ser feliz, ontem, hoje e todos os dias, eu, a minha mãe ou o meu pai, depende dessa aceitação. Depende dessa conformação. Desta consciência. Este reconhecimento (racional mas acima de tudo emocional) de que a dor vai estar cá para a vida toda. Sempre. E aceitar esta realidade, é metade dessa obra permanentemente inacabada, que é ser feliz.

Eu nunca vou deixar de amar a minha irmã, eu nunca vou esquecer a morte dela (nem sequer a doença dela), eu nunca vou deixar de ter saudades. É o que é. Ela é minha irmã e a falta dela, o sofrimento dela, o que ela não vive diariamente, vai doer sempre. Sempre. Nem mais, nem menos. Só diferente.

São dez horas e dez minutos. O teu coração bateu pela última vez há exactamente oito anos. É uma dor para a vida toda. E amor também.

3 Discussions on
“É uma dor para a vida toda”
  • Não sei como vim parar a este blog (verdade) mas sei que foi recentemente e que o li todo em muito poucos dias. E hoje a ler este post fiquei com um aperto no peito. Porque não sei o que seria de mim sem a minha irmã…
    Admiro muito a vossa força e a vossa coragem. Admiro a vossa história e capacidade de superação (e união). E sei (porque acredito) que lá em cima está a vossa estrela (e a Maria, na sua pura inocência) é quem a consegue ver mais claramente!
    Um beijinho com muita admiração!

Leave A Comment

Your email address will not be published.