Eu, Tu e os meus sapatos

Louca pela vida. Louca por ti. Louca por escrever. Louca por sapatos.

Calha a todas. As mães – entenda-se.

Calha a todas. Quero acreditar que sim.

Que não interessa se é a primeira gravidez ou a segunda. E desconfio que acontece o mesmo à terceira ou à quarta ou à quinta. 

E quando já se apanhou um susto na primeira esta bebé parou de crescer e tem de sair já… E quando se tem uma filha que é aparentemente saudável mas há sempre “se”, uma dúvida, mais um exame, mais uma terapia, mais qualquer coisa porque nem os médicos conseguem dizer sim ou sopas e escutamos um eterno “nim”… Primeiro é aquela forma de estar muito minha. Nada pessimista mas sempre muito realista. As coisas não acontecem só aos outros. Não sofro por antecipação – nunca sofri e a vida ensinou-me a reforçar essa forma de estar, mas também não vivo numa alegre inconsciência. Reforço – as coisas (más – claro), não acontecem só aos outros. E, infelizmente, também não existe uma quota parte limitada de coisas menos boas. Ou seja, não é porque já levamos o nosso karma em cima que não estamos sujeitos a outro tapete puxado (é mais uma cratera no chão) debaixo dos pés às 5h de uma qualquer manhã.

E então sobem as hormonas. Ou não são as hormonas e é só mesmo uma coisa minha.

Que se calhar não conseguimos engravidar naturalmente porque não tínhamos de engravidar. Que se calhar contrariámos um qualquer mecanismo de selecção natural. Que se calhar estávamos tão bem os três que isso era algum sinal.  Que…

E depois para a frente. Que agora é que vamos ver se ele é como a irmã e vai parar de crescer quando já não é normal os bebés pararem de crescer. Que os acidentes nos partos não acontecem só aos outros. Que as surpresas menos felizes podem surgir a qualquer um.

E, sem sofrer por antecipação – que não sofro apesar deste texto poder dar a entender que sim, também não acordo e adormeço numa alegria inconsciente.

E, sinceramente, nem acho que isso seja muito mau. Há quem lhe chame gestão de expectativas. Eu acho que é só saber viver sendo feliz. Ou ser feliz vivendo.

Fotografias maravilhosas do Pau Storch
E, outra vez, o vestido branco fenomenal feito pela minha avó
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“Calha a todas. As mães – entenda-se.”

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