Eu, Tu e os meus sapatos

Louca pela vida. Louca por ti. Louca por escrever. Louca por sapatos.

Outra vez a história da comida e dos miúdos

[Morder a língua – a minha entenda-se]

Desculpem mas não consigo não falar disto. É que é por todo o lado. Eu juro que não procuro! Mas os malditos algoritmos deste universo fazem com que tudo o que esteja relacionado com bebés me bata à porta. Nos feeds das redes sociais, entenda-se. Então é assim, caríssimas pessoas, mães dedicadas e pais extremosos, por ventura vocês gostavam de andar meses (anos?) a comer sopas com 3 ou 4 ingredientes??? A sério que querem que os vossos filhos tenham vontade de comer essas sopas?

Uma coisa é quando têm 4 a 6 meses e andamos a fazer a introdução dos sólidos. Mas caramba! Que enjoo! Quer a Maria, quer o Rodrigo, só andaram a comer sopa com 4 ingredientes (em que três não mexe porque são a base) durante 3 semanas – o período em que introduzimos a maioria dos legumes novos.

Depois? Depois é tentar fazer uma sopa o mais parecida possível com aquelas que fazemos para nós. Ou, pelo menos, tentar ao máximo dar a conhecer novas junções de sabores. Ir mostrando o que é comida e ao que sabe.

Batata, batata doce, abóbora, brócolos, alho francês e pastinaga foi a sopa do dia. E ele adorou.

A carne? Depois das primeiras semanas de maior rigor, passo a cozer com uma folha de louro (que ninguém merece comer borrego cozido a saber só a borrego cozido). Aqui aplico a mesma lógica de introdução dos legumes – sempre uma erva aromática de cada vez.

Bem, eu não sou nutricionista*, nem pediatra, nem percebo nada disto. Posso estar a fazer e escrever a maior barbaridade no que à alimentação das crianças se refere, mas não me parece. O que percebo é que a Maria tem 6 anos e come e sempre comeu tudo. E, no dia em que a pediatra disse “bem, agora a Maria come exactamente o mesmo que os pais comerem”, saímos da consulta, fomos ao indiano e ela deliciou-se. O gordo? Ainda é cedo, tem sete meses e fez amamentação exclusiva até aos 6 mas, por enquanto, aparenta ir pelo mesmo caminho.

Se esta prática alimentar começa agora? Não!

Começou na gravidez, em que comia tudo, à excepção daquilo que não é efectivamente permitido (por exemplo, carne mal passada se a grávida não é imune à toxoplasmose). Já ouvi disparates como “grávida não deve comer indiano porque é picante”. Claro! Na Índia as mulheres grávidas estão 9 meses em jejum! “Sushi?? Então e a toxoplasmose?”, oh senhoras!, sushi não tem toxoplasmose. Deve ser consumido com especial cuidado porque é um possível foco de intoxicações alimentares como qualquer alimento cru tão perecível como o peixe. Mas não é proibido. Permitido sim, em restaurantes bons, confiáveis e que não atiram com o sashimi para cima de uma folha de alface que possivelmente não foi lavada e está carregada de toxoplasmose. Sabem que a partir dos 6 meses de gravidez (sensivelmente) se desenvolve o sistema digestivo dos bebés? E, dizem os estudos, é quando se deve diversificar ao máximo os sabores a que estão expostos?

Depois? Depois continuou na amamentação! “Vais comer esse queijo? Pão de alho? Feijoada? Indiano? O leite vai ficar com sabor!” Pois, é essa a ideia. Eu não sou vaca para ter leite que só sabe a erva. Esta é só uma das inúmeras vantagens da amamentação: dar a conhecer sabores diferentes ao bebé ainda antes de começar a alimentação sólida.

E é isto pessoas. Se eles não comem bem a sopa experimentem aprimorar a coisa. Juntar um dentinho de alho para começar. Pastinaga que tem um sabor peculiar e tão agradável. Um bocadinho de gengibre fresco. Uns coentros. Ou salsa. Qualquer erva aromática transforma o sabor de uma refeição e é uma excelente alternativa ao sal! Inovem. Se comem bem então ainda mais uma razão para gourmetizar as sopas. E, finalmente, também é um ensinamento (muito) válido para pais foodies (como nós) e que querem que os filhos os acompanhem nas divagações gastronómicas… Porque sim, é fenomenal ver o prazer com que a Maria come e a forma como nos acompanha nos restaurantes e nas nossas invenções culinárias.

Give it a try!

*[alerta: não sou pediatra nem nutricionista, mas face à importância do tema, consultei uma amiga nutricionista antes de publicar este texto. não foram escritas barbaridades ou disparates do foro nutricional e alimentar, bem pelo contrário e, também não foram magoadas ou feridas crianças no decorrer das minhas gravidezes, períodos de amamentação nem depois disso]

6 Discussions on
“Outra vez a história da comida e dos miúdos”
  • Concordo plenamente Vanessa ! Na gravidez e nascimento do meu primeiro filho fiz isso e agora , grávida do segundo , vou pelo mesmo caminho ! É a melhor maneira de os pôr a comer bem e sem esquisitices ! 😚

  • Concordo! Porém, o pediatra da ML. referiu que, a partir dos 8 meses, era importante que a sopa tivesse um sabor predominante a um dos vegetais (identificação de sabores). Além disso referiu que, também nessa altura, a sopa devia ser apresentada cada vez menos passada – como se fosse moída com um passevite – para se habituarem às texturas.
    Gosto de ouvir o que o pediatra diz mas também tenho sentido crítico para avaliar as suas opiniões (com base em muita leitura/pesquisa que vou fazendo). Neste caso pareceu-me bastante assertivo.

    • Olá Inês!

      Sim, a identificação de sabores até pode/deve começar mais cedo, mas fica facilitada quando começamos a dar purés ou mesmo inteiro (puré de brócolos ou brócolos cozidos por exemplo).

      Quanto à consistência, assim que começo a incluir carne (que no caso do Rodrigo foi aos 7 meses porque só começou a sopa aos 6), tento não triturar totalmente a carne, fica assim meio desfiada, pequenina claro, mas desfiada, para se ir habituando.

      A fruta também não deve ser oferecida misturada e dar sempre só uma fruta de cada vez, mas temos de fazer adaptações em função dos bebés que temos. Como o Rodrigo se recusa a beber água, chá ou qualquer outro líquido que não o meu leite, para evitar que tenha prisão de ventre, junto quase sempre à fruta principal um bocadinho de papaia.

      Muito obrigada pela opinião e sinceridade!

  • Podia ter sido eu a escrever este post! Então a alimentação das grávidas é uma aflição! Há pessoas que seguem 1300 regras parvas e sem fundamento. Olha eu fui grávida à Índia e o JM adora comida picante! Fui também à China grávida do António e correu tudo bem. Há pessoas que jamais viajaram grávidas para estes sítios, por terem demasiadas minhocas na cabeça! Eu sinceramente preferi dar sopas de restaurante aos meus filhos antes deles fazerem 12 meses do que or comprar boiões de comida não identificada!

    • Comida não identificada! É isso!

      Mesmo sabendo que as sopas nos restaurantes têm uma dose de sal habitualmente superior à recomendada, entre sal e todos os “E” que aparecem nos boiões, venha a sopa do restaurante! (a Maria nunca comeu uma sopa de boião, nunca)

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