Eu, Tu e os meus sapatos

Louca pela vida. Louca por ti. Louca por escrever. Louca por sapatos.

A realidade crua (ou cruel)

No meio deste vendaval de más notícias, de suposições de más notícias, de esperas angustiantes que recheiam a vida e que, têm preenchido em particular os últimos anos da nossa vida, não houve até hoje baque algum como o que senti no dia 6 de junho de 2008 de madrugada: “A Nídia tem leucemia.” Foram estas as palavras da minha mãe entre soluços.

Nós não somos mais fortes.

Tampouco mais corajosos.

Ainda menos seres insensíveis.

Infelizmente, sabemos o que é ficar sem chão.

E, por muito cruel que isto possa soar, saber que o meu avô tem cancro não me tira o chão. Dói. Dói muito. Só eu sei o que dói. É o meu avô. O meu avô com quem conto há 29 anos. O meu avô sem o qual imagino viver. O meu avô para quem sou tudo. O meu Avô.

Mas não posso afirmar que é a pior coisa que me aconteceu. Porque não é.

Não posso afirmar que não consigo viver sem ele. Porque consigo.

Mas dói. Dói muito.

47 Discussions on
“A realidade crua (ou cruel)”
  • Oh Me… nestas alturas faltam sempre as palavras :/
    Mas tu és forte e juntamente com a tua fantástica família vão ultrapassar isto da melhor maneira =)
    Beijinhos e muita força!

  • Infelizmente a vida não nos permite não sabermos como viver sem alguém que amamos. Mas vocês sejam fortes, ainda mais fortes do que têm sido. Acreditem que juntos vencem a batalha.

  • Querida Me:
    é difícil comentar este texto, é difícil expressar palavras ou ideias que te confortem…é difícil, porque impossível.
    Apenas se pode dizer que a vossa família é forte, um exemplo de força e superação.
    Um abraço apertadinho ( ainda que virtual).

  • Lamento muito, mesmo. Mas há que manter a força e a esperança! A minha avó já teve carcinoma de pele e cancro da mama, sobreviveu a ambos e lá está, 96 anos de vida, com a cabeça mais fresca que a minha. A partir de certa idade é doença que também evolui mais devagarinho, portanto, nunca se sabe e até lavar dos cestos é vindima. Vai correr bem, muita força!

  • Um beijinho cheio de força. Claro que depois do que já passaste, doí, mas já sentiste uma dor ainda maior. E é assim mesmo a lei da vida, pelo menos como dereria ser…, os mais velhinhos primeiro.

  • Um beijinho Me, partilho da tua forma de pensar. Estou a viver o momento mais difícil da minha vida. Perdi a minha mãe em Dezembro, três meses após o meu casamento. Agora em Junho vi partir o meu pai. Mudei muito a minha forma de encarar a vida e o mundo, mas estou a aceitar como uma inevitabilidade. Venho muitas vezes ao teu blog buscar força 🙂

  • nem sei bem o que te dizer mas segue daqui um abraço virtual mas bem apertadinho e que tudo corra pelo melhor de maneira que vocês não sofram. :* Beijinhos

  • Queria que chegasse o dia onde noticias dessas nunca chegassem. Estou contigo, partilho dessa dor contigo e sei que embora nao seja o fim do mundo, custa muito e nunca, nunca é justo. Um grande abraço e cabeça erguida para o que ai vem. Espero q corra tudo bem.*

  • sinceramente, não sabendo o avançar da doença e o estado em que se encontra o teu avô, desejo, acima de tudo, o que pedi para o meu: dignidade.
    se sabemos que não se pode fugir ao inevitável, a verdade é que o arrastar do sofrimento só agrava o sentimento daquele que sofre e dos que assistem a essa dor.

    beijo grande

  • Minha querida Me, perdi o meu avô há um ano e confesso que ainda não recuperei… quando a minha avó me liga ainda aparece o nome Avô X, pois nunca fui capaz de mudar o nome do contato!! Contudo, compreendo bastante bem este teu sentimento, pois irmã é irmã…

    Um beijinho grande e terno!!!

  • Percebo-te tão bem, Me.

    Pode parecer estranho a quem nunca teve a pouca sorte de receber este tipo de notícias, mas começa-se a fazer uma “triagem” quanto à gravidade das situações.

    Um beijinho para ti e força para toda a família neste nova batalha que aí vem.

  • Como te compreendo Me, passei por uma situação semelhante….. Perdi o meu Herói de uma hora para a outra porque causa de um acidente de trabalho, meses mais tarde perdi a minha Avó, através dessa maldita doença, custa e muito…
    Mas a perda do meu Herói foi o pior que me aconteceu na minha vida. Dizem que o tempo vai adormecendo a dor, mentira(falo por mim), as saudades cada vez são mais, a vontade de falar com o meu héroi é muita, a vontade de o ver ainda maior…..
    Temos de aprender a viver sem as pessoas que nos criaram, que nos ensiram tanta coisa, não é nada mas nada fácil. E não há dia nenhum que não me lembro deles. Beijocas recheadas de muita força.

  • Percebo-te bem… Podia dizer-te que também senti o mesmo quando há meses atrás perdi o meu avó para a mesma doença, em 2 meses, quando ainda há três meses tinha perdido uma grande amiga.
    Mas isso não vai atenuar a tua dor (saber a dor dos outros não atenua a nossa). Aliás, nada vai.
    Vai aprender, de novo, a saber lidar. E a aproveitar todos, mas todos os minutos desta vida. Sem futilidades, sem tristezas desnecessárias, sem gastar tempo. Porque tempo é tudo o que temos. E resta-nos agarrarmo-nos muito, muito bem ao tempo que temos.
    Se sabemos que vamos sofrer daqui a 5 dias ou 5 anos, porquê começar agora? Aproveite-se o que ainda temos e quando a dor chegar, cá estaremos para aguentá-la, ou não.
    Um beijinho e aproveita bem… Não sofras (o máximo que puderes), recompõe-te (como sempre fazes) e aproveita a vida (como me ensinaste, inconscientemente, a fazer), como tens feito até aqui… Se tivermos que chorar, choramos quando chegar a hora. Se nem for caso disso, poupamos muitas lágrimas. Foi isto que aprendi, aqui mesmo.
    Beijinho
    Mi♥
    (justanotherblog.blogspot.be)

  • Me,
    Não sei que te diga, porque como alguém que já perdeu alguém muito importante, isso dói imenso. Infelizmente já não tenho avós, mas imaginou me na altura em que eu soube que eles estavam doente, não foi fácil. Muitos beijinhos e que tudo funcione da melhor maneira para todos!
    Beijooo****

  • Minha querida, a Vida é assim mesmo, cruel umas vezes, outras mais branda, mas sempre a “espicaçar-nos” a tomar-nos as forças. Como muita gente aqui já comentou, também perdi os meus pais, um a seguir ao outro, com essa doença. Foi uma dor inexplicável, mas há que seguir em frente, caminhar um bocadinho aos tombos mas caminhar sempre em frente. A dor vai atenuando, passar a saudade e depois passa a ser um sorriso nos lábios quando nos lembramos deles. De qualquer maneira há que viver um dia de cada vez e não sofrer por antecipação porque isso tira-nos as forças para aguentar as situações. Um beijo muito grande, muita Luz para todos vocês e ….. Força

  • Ainda ontem à noite pensei em ti.
    Em como e onde consegues arranjar forças para seguir em frente. Em como consegues sempre ver o copo meio cheio. Em como tanta coisa… Já pensei tantas vezes escrever-te um mail para te falar/desabafar contigo à cerca da perda, do surreal que fica, do viver com aquela pedrinha no sapato que muito embora se sorria, por dentro está tudo meio corruído. Mas depois, sei, ou não sei, mas se calhar com toda a certeza, e caso respondesses, irias-me abanar com o teu lado prático da vida, e eu iria me sentir ainda mais baralhada neste “meu” mundo. 🙂
    Por isso nunca te escrevi nenhum mail… e hoje, chego aqui e vejo o teu ultimo post… Lamento a situação. Que mais dizer quando mais parece que nenhuma palavra faz sentido ou consegue apaziguar o que se sente nesses momentos.

    És forte. Que tudo corra pelo melhor.

  • Neste momento, passo pelo mesmo com o meu sogro. Daqui a meses, o meu sogro partirá e o neto, provavelmente nem se lembrará dele, por só ter 3 anos. Dói muito mesmo. Muita força.
    Beijinhos

  • Porra!!!! Já chega de dor nessa família já mereciam uma pausa dessa treta toda. Não é justo nada nada justo.
    Só te posso mandar um beijo grande e um abraço enorme a ti a vocês todos e força muita força.

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